Enfrentar o tratamento oncológico é uma jornada que envolve transformações físicas, sociais e emocionais. Procedimentos como cirurgias, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia podem trazer desafios que exigem tempo, apoio e novas formas de lidar com as mudanças que surgem ao longo do caminho.
Nesse contexto, o acompanhamento psicológico especializado — focado na Psicologia Oncológica — desempenha um papel determinante para que o paciente atravesse todas as fases da doença com maior estabilidade emocional e qualidade de vida.
O papel da Psicologia Oncológica no tratamento
O psicólogo especialista em oncologia compreende as particularidades médicas e emocionais da doença. Esse profissional atua diretamente em diferentes fases da jornada:
1. No momento do diagnóstico
Auxilia na assimilação do impacto inicial da notícia, reduzindo níveis de choque, desespero e ansiedade, favorecendo um espaço de escuta qualificada para a expressão das dúvidas e medos.
2. Durante o tratamento ativo
- Manejo do estresse e da ansiedade: Aplicação de estratégias para lidar com fobias de agulhas, exames de imagem, procedimentos cirúrgicos e idas ao ambiente hospitalar.
- Adaptação às mudanças corporais: Suporte emocional para lidar com a queda de cabelo, alterações de peso, cirurgias mutiladoras (como a mastectomia) e a fadiga oncológica.
- Adesão ao tratamento: Fortalecimento da confiança na equipe médica e compreensão sobre a importância do autocuidado ao longo do protocolo terapêutico.
3. Na fase pós-tratamento (remissão)
Muitos pacientes relatam surpresa ao perceberem que o término do tratamento ativo pode trazer novos medos, especialmente o receio da recidiva (retorno do câncer). O suporte psicológico auxilia na reorganização da rotina e na reconstrução do projeto de vida pós-câncer.
Benefícios do acompanhamento psicológico para o paciente oncológico
Investir no suporte à saúde mental durante o tratamento do câncer proporciona diversos benefícios, tais como:
- Redução dos sintomas de ansiedade e depressão;
- Desenvolvimento de mecanismos saudáveis de enfrentamento (coping);
- Melhoria na comunicação entre paciente, familiares e equipe de saúde;
- Incentivo à autonomia e ao protagonismo nas decisões sobre os próprios cuidados.
A mente e o corpo caminham juntos. Oferecer cuidado à dimensão emocional durante a oncologia é garantir um tratamento verdadeiramente humanizado e centrado nas necessidades do ser humano, para além da doença.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer. ABC do câncer: abordagens básicas para o controle do câncer. Rio de Janeiro: INCA.
- Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia. Temas em Psico-Oncologia. São Paulo: Summus Editorial.
- Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Manual de Cuidados Paliativos. 2. ed. São Paulo: ANCP, 2021.
- Instituto Nacional de Câncer. Ações de Psicologia em Oncologia. In: Ações de enfermagem para o controle do câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. Rio de Janeiro: INCA.





